Caderno de Preparação12 min de leitura
Usar o celular todos os dias não significa saber informática para concursos. A prova pode perguntar o que acontece ao copiar uma fórmula, como um arquivo é organizado ou por que uma conexão segura não torna qualquer site confiável. São detalhes de funcionamento que nem sempre aparecem no uso habitual.
Para estudar, combine conceitos com pequenos testes no programa indicado pelo edital. Neste guia, você vai organizar os principais assuntos, distinguir termos parecidos e fazer exercícios de arquivos, internet, segurança e planilhas. O objetivo é entender a ação descrita pela questão, sem depender apenas de decorar ícones.
Comece pelo programa e pela versão do edital
Antes de escolher uma lista de aulas, copie os itens de informática. Veja se aparecem Windows, Linux, Microsoft Office, Microsoft 365, LibreOffice, navegadores, segurança, redes ou outros sistemas. Anote também versão, idioma e ambiente quando o edital trouxer essas informações.
Word e Writer têm finalidades parecidas, mas menus e atalhos podem diferir. Excel e Calc compartilham muitos conceitos, porém não são programas idênticos. Aplicativo instalado e versão no navegador também podem oferecer comandos diferentes. Estudar um programa como se fosse outro pode transformar conhecimento correto em resposta errada.
Monte três colunas: assunto, fonte ou programa e tarefa de treino. Para “referências de células”, a tarefa pode ser copiar uma fórmula e prever a mudança. Para “arquivos”, criar pastas e mover uma cópia de teste. Assim, a lista deixa de ser apenas um conjunto de nomes.
Hardware, software e sistema operacional
Hardware é a parte física: processador, memória, armazenamento e dispositivos. Software é o conjunto de programas e instruções. O sistema operacional organiza recursos do computador e oferece serviços para os programas funcionarem. Um editor de texto é um aplicativo; ele não substitui o sistema operacional.
Memória RAM e armazenamento têm funções diferentes. A RAM guarda dados usados no trabalho em andamento e, em geral, perde seu conteúdo quando o equipamento é desligado. SSD e outros meios de armazenamento mantêm arquivos para uso posterior. Ter mais espaço no SSD não equivale a ter mais RAM.
Pense em uma mesa de trabalho e um armário. A mesa representa o espaço de uso imediato; o armário representa onde as coisas ficam guardadas. A comparação ajuda a iniciar o conceito, mas não explica toda a tecnologia. Na prova, volte aos termos precisos: memória principal, armazenamento e processamento.
Também separe entrada e saída de dados. Um teclado envia comandos; um monitor apresenta resultados. Há dispositivos que cumprem as duas funções, como uma tela sensível ao toque. Não classifique apenas pelo formato do aparelho: observe o que ele faz na situação descrita.
Arquivos, pastas, caminhos e extensões
Um arquivo guarda conteúdo. Uma pasta organiza arquivos e outras pastas. O caminho indica onde o item está, como uma sequência de locais. Se a questão informa uma pasta dentro de outra, desenhe a árvore no papel antes de responder.
A extensão, como .pdf, .docx ou .xlsx, ajuda a identificar o formato e a associação com programas. Renomear “texto.docx” para “texto.pdf” não converte de verdade o conteúdo. A conversão exige salvar ou exportar no formato apropriado.
No Windows, o Explorador de Arquivos permite navegar e organizar itens. A documentação oficial do Explorador descreve seus recursos. Para treinar, crie uma pasta com documentos sem dados pessoais e trabalhe apenas com essas cópias.
Copiar, mover, renomear e criar atalho
Copiar cria outra ocorrência do conteúdo no destino. Mover altera a localização. Renomear muda o nome. Um atalho aponta para um item e não equivale a uma cópia completa dele. Se o item de destino é removido, o atalho pode deixar de funcionar.
Exercício: crie as pastas “Entrada” e “Revisão”. Coloque um arquivo de teste em Entrada. Copie para Revisão e confira se ele continua nas duas. Depois mova uma das cópias para uma terceira pasta. Observe o caminho de cada item. Escreva o resultado esperado antes de executar.
Na exclusão, o comportamento depende do local, das configurações e do comando. Não memorize “todo arquivo apagado vai para a lixeira” como regra absoluta. Questões podem envolver exclusão definitiva, armazenamento removível ou compartilhamento de rede.
Atalhos: aprender a ação e o contexto
Atalhos combinam teclas para executar comandos. No Windows, Windows + E abre o Explorador de Arquivos; Windows + L bloqueia o computador; Alt + Tab alterna entre janelas. A lista oficial de atalhos do Windows ajuda a conferir a combinação na versão aplicável.
Não transfira automaticamente um atalho do sistema para todos os aplicativos. Um comando pode depender do idioma, do programa, do foco da janela e das configurações. Se a pergunta trata do Word, procure a documentação do Word na versão indicada, mesmo que você use aquele atalho em outro editor.
Para revisar, escreva “ação → programa → teclas”. Por exemplo, “bloquear o computador → Windows → Windows + L”. Esse registro evita uma tabela de combinações sem contexto. Treine poucos atalhos por vez e confira o efeito real.
Editor de texto: formatação que a prova pode distinguir
Formatação de caractere altera elementos como fonte, tamanho e destaque. Formatação de parágrafo trata de alinhamento, recuo e espaçamento. Configuração de página inclui margens e orientação. Misturar essas camadas dificulta responder o que um comando afeta.
Um recuo de primeira linha não é a mesma coisa que margem da página. Espaço antes de um parágrafo não é o mesmo que entrelinhas. Quebra de página não é igual a pressionar Enter muitas vezes: ela leva o conteúdo seguinte à próxima página como uma decisão de organização. Confira a orientação da Microsoft para inserir uma quebra de página no Word.
Faça um documento curto de treino. Aplique um título usando estilo; altere o alinhamento de um parágrafo; insira uma quebra de página; crie uma lista. Depois tente explicar qual camada cada ação modificou. Consulte a ajuda oficial do editor para os nomes exatos dos comandos.
Salvar e exportar também merecem atenção. Um arquivo editável permite continuar modificando a estrutura no programa; uma exportação em PDF busca outra forma de distribuição. Recursos como comentários e controle de alterações não são simples mudanças no texto final. Estude-os se estiverem no conteúdo programático.
Planilhas: entender células antes das funções
Uma planilha organiza dados em linhas e colunas. A célula A2 fica na coluna A e na linha 2. Um intervalo como A2:A5 reúne as células dessa sequência. No exemplo a seguir, os números e resultados são originais e servem para observar o funcionamento.
Digite 2 em A2 e 15 em B2. Em C2, escreva =A2*B2. O resultado é 30. A fórmula usa referências: se A2 mudar para 3, o resultado será 45. Digitar “30” diretamente em C2 criaria um valor fixo, sem a mesma relação com as outras células.
Referências relativas, absolutas e mistas
Uma referência relativa se ajusta ao copiar a fórmula. Se =A2*B2 estiver em C2 e for copiada para C3, ela vira =A3*B3. Uma referência absoluta, como $E$1, mantém coluna e linha. Referências mistas fixam só uma parte: $A2 fixa a coluna; A$2 fixa a linha. A documentação da Microsoft sobre referências apresenta essa distinção.
Exercício: coloque 10% em E1 e um preço de 80 em B2. Em C2, use =B2*$E$1 para calcular 8. Ao copiar para C3, o preço poderá vir de B3, mas a taxa continuará em E1. Se usar =B2*E1, a referência da taxa mudará junto, produzindo outra conta.
Funções e leitura de condições
Uma função pronta realiza uma operação conforme seus argumentos. Em uma instalação com nomes de funções em português, SOMA e MÉDIA são exemplos comuns. A sintaxe e o separador devem ser conferidos na configuração e no programa da prova.
Considere A1 = 4, A2 = 6 e A3 = 8. =SOMA(A1:A3) resulta em 18; =MÉDIA(A1:A3) resulta em 6. O primeiro soma valores; o segundo divide a soma pela quantidade de valores considerados. Uma célula vazia e uma célula com zero podem produzir efeitos diferentes na média, como explica a documentação oficial da função MÉDIA.
Para uma condição simples, em ambiente compatível com essa sintaxe, =SE(B2>=60;”Atingiu”;”Não atingiu”) retorna “Atingiu” se B2 for 60 ou mais. Com 59, retorna “Não atingiu”. Observe o sinal de igualdade: trocar >= por > muda justamente o resultado quando B2 vale 60.
Se o edital exige LibreOffice, use a ajuda oficial do Calc. Não conclua que tudo será idêntico ao Excel porque esses exemplos básicos se parecem. Funções disponíveis, formatos e comportamento em casos especiais precisam ser conferidos.
Ordenar e filtrar não são a mesma ação
Ordenar muda a disposição dos registros por um critério. Filtrar mostra os que atendem a uma condição e oculta outros na visualização. Ao ordenar uma lista de pessoas e notas, manter as linhas completas juntas é essencial: ordenar apenas a coluna de notas pode separar cada pessoa do seu resultado.
Crie três registros fictícios e teste os dois comandos. Depois pergunte: os dados foram apagados ou apenas deixaram de aparecer pelo filtro? O exercício ajuda a reconhecer a diferença entre alteração do conjunto e alteração do que está visível.
Internet, navegador, endereço e rede
Navegador é o programa que acessa e apresenta páginas. Buscador é um serviço para encontrar conteúdos. Digitar uma consulta no navegador pode usar um buscador, mas eles não se tornam a mesma coisa. Também diferencie a página aberta do endereço que aparece na barra.
Em um endereço como https://exemplo.org/pasta/pagina, “https” indica o esquema; “exemplo.org” é o domínio; e o restante indica um caminho. Para estudar redes, separe endereço IP, nome de domínio, DNS e protocolos. DNS ajuda a relacionar nomes e endereços; não é sinônimo de navegador. A documentação da Cloudflare oferece uma explicação do funcionamento do DNS.
Internet é uma rede ampla de redes. Intranet usa tecnologias semelhantes dentro de um contexto restrito de uma organização. Wi-Fi é uma tecnologia de conexão sem fio e não garante, por si só, acesso à internet. Um computador pode estar conectado a uma rede local cujo acesso externo esteja indisponível.
Nas questões, desenhe o trajeto: dispositivo, rede local, equipamento de conexão e serviço acessado. Se o edital cobra detalhes como protocolos de e-mail, estude separadamente envio e acesso às mensagens. Evite decorar uma sigla sem saber qual etapa ela atende.
Segurança: reconhecer o risco e a proteção
Segurança da informação envolve proteger acesso, integridade e disponibilidade, entre outros aspectos. Uma senha se relaciona ao acesso; uma cópia recuperável ajuda a disponibilidade; controles de alteração ajudam a integridade. Nenhum recurso isolado resolve todos os riscos.
Senhas e autenticação
Use uma senha diferente para cada conta e proteja os meios de recuperação. Uma segunda etapa de verificação acrescenta proteção, mas códigos não devem ser repassados a terceiros. O fascículo de autenticação do CERT.br orienta sobre senhas, métodos de verificação e cuidados com acessos.
Na prova, diferencie identificar-se de comprovar a identidade e de receber permissão para uma ação. Uma pessoa pode estar autenticada e ainda não ter autorização para abrir um arquivo específico. Autenticação e autorização respondem a perguntas diferentes.
Golpes e mensagens falsas
Phishing tenta induzir a pessoa a entregar informação ou executar uma ação usando uma comunicação enganosa. Uma mensagem pode aparentar vir de uma instituição conhecida e pressionar por resposta rápida. O fascículo do CERT.br sobre sinais de golpes explica como reconhecer esse tipo de manipulação.
Exemplo de estudo: chega um e-mail dizendo que sua inscrição será cancelada em dez minutos e pedindo senha e código. A aparência da mensagem não comprova sua origem. A decisão adequada é conferir pelo canal oficial, sem usar o link recebido como única referência.
Uma conexão HTTPS protege aspectos da comunicação, mas não garante que a oferta seja honesta. Um site enganoso também pode usar HTTPS. Em questões de segurança, cuidado com frases que transformam um recurso real em garantia absoluta.
Backup e sincronização
Backup é uma cópia destinada à recuperação. Sincronização mantém conjuntos de arquivos alinhados e pode propagar alterações ou exclusões. Por isso, não são conceitos equivalentes. A estratégia deve considerar versões, locais separados e teste de recuperação, conforme o fascículo de backup do CERT.br.
Exercício: pense numa pasta sincronizada em dois aparelhos. Se você exclui um arquivo e a exclusão se propaga, apenas ter visto o arquivo nos dois aparelhos não prova que existe uma cópia recuperável. A questão precisa informar quais mecanismos de versão e recuperação estão disponíveis.
Como estudar por questões sem decorar resposta errada
Leia o enunciado marcando programa, versão, ação e resultado pedido. Antes de olhar as alternativas, tente prever o que deve acontecer. Em seguida, explique por que cada alternativa está certa ou errada. Uma questão sobre fórmula copiada exige acompanhar referências, não apenas calcular o valor inicial.
Separe seus erros em conceito, detalhe do programa e distração de leitura. Se você confundiu filtro com exclusão, volte ao conceito. Se errou o atalho numa versão específica, confira a documentação. Se não viu “exceto” no enunciado, ajuste o modo de ler.
Para integrar isso ao estudo, confira o roteiro de análise de provas anteriores. No catálogo, procure uma apostila para seu cargo ou concurso e compare a informática informada com o edital. A descrição do material deve ser conferida antes de comprar.
Fontes e próximo exercício
Este guia utiliza a documentação oficial da Microsoft sobre arquivos, atalhos e referências no Excel, a ajuda do LibreOffice Calc e os materiais de segurança do CERT.br. Os exercícios são originais. Escolha hoje uma tarefa do seu edital, preveja o resultado no papel e confira num ambiente de teste: essa comparação transforma o uso do programa em estudo.
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